Movimento Cívico do Distrito da GuardaCarta Aberta aos GovernantesO Movimento Cívico do Distrito da Guarda sente legitimidade, como grupo de cidadãos e também pelas tarefas mobilizadoras, já realizadas, ( uma sala repleta do Cine-Oppidana a debater vivamente os problemas do Hospital Distrital não é para esquecer! ... e, ainda, uma campanha de angariarão de assinaturas por todo o distrito, quase 5000, sobre esta problemática aflitiva - é mais que simbólico, é, sobretudo, representativo -) para neste momento, se dirigir aos seus Governantes, acerca de matérias, tão urgentes, quanto inadiáveis, da sua terra, da sua região. Já, no seu Manifesto, em 1998, o Movimento Cívico do Distrito da Guarda foi claro e conciso sobre os objectivos do seu movimento, despertando, assim, consciências, mobilizando pessoas e criando opinião pública. De novo, pretende remeter os Senhores Governantes para esse documento matricial e recordá-los de que se mantém fiel a esses princípios e não irá trair a confiança que lhe foi dada e corroborada por uma Comunicação Social, regional e até nacional. Hoje, porém, assume, mais uma vez, outra posição pública porque está cansado de tanto esperar e ser ludibriado pelos que, então, a nível local e central, eram o poder político ou administrativo e prometeram várias soluções imediatas para o Hospital e, na verdade, não as cumpriram. Não pode, nem deve este Movimento adiar, para mais tarde, a sua palavra, esta sua intervenção. E fá-lo por esta via, porque não é poder político, nem se move nos corredores de influência lisboeta. Assiste-lhe, todavia, a força da razão e ainda porque o descontentamento, provocado pela falta de soluções, leva-o, aqui e agora, a mostrar as suas preocupações e perplexidades. Muito desejaria este Movimento debruçar-se, porque são muitas as carências no nosso distrito, sobre as mais prementes que retardam e sacrificam o nosso desenvolvimento mais imediato, como, por exemplo, as acessibilidades ( a IPS ainda não é auto estrada, a 1P2 só estará concluída em 2003 e a rede viária de todo o distrito está degradada e num abandono total ). Neste aspecto, o Poder Central abandonou e esqueceu o distrito, não investiu nele e não destruiu de forma oportuna e decisiva o isolamento que nos mata. Cada vez mais, os habitantes desta região do interior sentem na carne a interioridade, sobremaneira quando se deslocam a Lisboa, ao Porto e a Coimbra... Vai ser tarde que esta gente, tão sacrificada, esqueça o abandono a que foi votada! ... Consta, porém, que a vinda do Papa a Portugal, no dia 13 de Maio é data de início das obras na IP2, no sentido Covilhã - Guarda. Milagre de Nossa Senhora de Fátima! Porém, o Movimento Cívico do Distrito da Guarda recorda os Governantes de que toda a parte norte do distrito continua isolada e com estradas degradadas, impedindo, deste modo, ligações fáceis à sede de distrito. Até quando, Senhores Governantes, abusarão da nossa paciência? Os cidadãos do distrito da Guarda não esquecem promessas de políticos, ainda, infelizmente, não cumpridas. Disseram-nos, então, há dois anos, que teríamos um Hospital novo ou novo Hospital. E, afinal , não temos senão um Plano Director Hospitalar que, timidamente, dá os seus primeiros passos negociais e sobre o qual o Movimento Cívico do Distrito da Guarda , brevemente, fará o seu pronunciamento público e fá-lo-á chegar à actual Administração do Hospital Sousa Martins. Mesmo assim, sobre este documento não existiu um amplo e alargado debate, como seria desejável, dentro duma democracia autêntica é, como, aliás, se esperava, após o debate no Cine - Oppidana. De lamentar, é que, nem fomos parte integrante na elaboração do mesmo, nem este instrumento de trabalho chegou até ao Movimento Cívico do Distrito da Guar da, atempadamente, conforme fora prometido pelo Governo Civil, Só, recentemente, e de forma particular, o Moviment o teve acesso a este Plano Director do Hospital. Fraca democracia esta que nos rege, que esconde informação e que afasta a participação dos cidadãos. Assim, Senhores Governantes, podem lamentar-se do afastamento dos cidadãos das "coisas" políticas, Mas falarão, a sério?!... Senhores Governantes, o que nos desgasta e revolta é, ainda hoje, verificar que uma população de 180.000 habitantes continua sem um verdadeiro e condigno Hospital e que numas estruturas físicas caducas, acanhadas, mal dimensionadas e com erros primários de arquitectura, no edifício agora reconstruído, lá se vai fazendo alguma coisa por alguns ( poucos ) profissionais de saúde que, por ora, aqui permanecem, estoicamente, realizando em trabalho meritório. A população do Distrito da Guarda já se apercebeu do esvaziamento do Hospital, a todos os níveis, por ser tão notório e descarado. Do nosso imaginário desapareceu a imagem grande do passado, com as suas gloriosas tradições em médicos e em especialidades médicas. Hoje, resta-nos a angústia e o desespero, quando lá longe e a altas horas da noite, é preciso procurar Serviços de Urgência de Pediatria e outros, em cidades como Coimbra, Viseu ou, até, na Covilhã, cidade sem grande tradição médica e hospitalar, nesta especialidade como noutras, A que situação nos conduziram os políticos, esquecendo a Guarda e o seu distrito!... E é este e outros desmerecimentos que, pouco a pouco, desgastaram, desqualificaram e desvalorizaram a importância e a auréola do Hospital da Guarda. Apesar de tudo o Movimento Cívico do Distrito da Guarda quer inverter este fatalismo e lutar contra toda a subalternização a que temos sido sujeitos. É hora, Senhores Governantes, de fazer Justiça à Guarda , contemplando em PIDAC verbas necessárias para riscar o descontentamento do mapa do nosso distrito. E ele poderá começar por em Hospital novo ou novo Hospital, digno de tal nome, hospital de retaguarda, com bons cuidados terciários, com urgências a funcionarem na prática, com estruturas físicas, funcionais e modernas, onde depressa e bem se possam instalar um TAC e outros meios tecnológicos de diagnósticos, ressonância magnética.... Muito nos estranha, e é um mistério cujos desígnios não penetramos, constatar que, por agora, só em serviços privados, alguns destes meios tecnológicos de apoio aos diagnósticos existam e funcionem. O Movimento Cívico do Distrito da Guarda quer um Hospital, a sério, para que possa depois estabelecer uma verdadeira articulação institucional, robusta e válida, com a Faculdade de Ciências da Saúde da UBI e com o Instituto Politécnico da Guarda e seus novos cursos de Tecnologia da Saúde. Rejeitamos ser parceiros menorizados com quaisquer vizinhos!... Senhores Governantes, fazer do Hospital da Guarda uma verdadeira cidade hospitalar e um autêntico Parque se Saúde, é possível. Tudo dependerá dos Senhores Governantes, do Poder Central e dos seus políticos. E não nos venham com promessas diálogos! Sabemos que o nosso lobby é a razão que nos assiste! O nosso poder é a nossa inteligência e clarividência dos factos. O Movimento Cívico do Distrito da Guarda continuará firme e atento e, em sintonia perfeita com pessoas e movimentos que desejem quebrar o conformismo. O Movimento Cívico do Distrito da Guarda espera que o Poder Central, o Governo, apresente obra visível no nosso distrito, sobretudo, proporcionando uma rápida e eficaz execução do Plano Director do Hospital, após as devidas correcções úteis e necessárias. Guarda, 4 de Fevereiro de 2000 Movimento Cívico do Distrito da Guarda
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