Movimento Cívico do Distrito da Guarda

Manifesto

Um grupo de cidadãos do Distrito da Guarda , perfeitamente, identificado e caracterizado, atento às carências, atrasos, problemas, perplexidades... que, na actualidade, se colocam ao Distrito, consciente dos seus deveres e direitos, cívicos e políticos, distanciado do poder central e local, e até dos partidos políticos, propõe-se, a partir deste manifesto, por todos os meios legítimos:

1º Auscultar as inquietações dos habitantes do Distrito, provocadas pelos atrasos acumulados de anos e anos, sem intervenção oportuna e eficaz do poder político;

2º levantar a voz, divulgando o que os inquieta e, até denunciando, sem proselitismos nem demagogia, o que está e vai mal, nos aspectos económico, social é politico da sua divisão administrativa;

3° e envidar todos os esforços por acções, muito concretas, para que o decurso do fatalismo e da degradação a que foram lançadas as gentes deste Distrito torne outro rumo de progresso e de bem-estar.

É com carácter de urgência e com um propósito, bem claro, que este grupo de cidadãos do Distrito da Guarda reivindica para si próprio este direito legítimo de mais cidadania e, por isto mesmo, de mais opinião e intervenção na "res-pública". Deste direito, defluem, logicamente, os direitos de participação, de fiscalização cívica e de representação e exposição. Donde, a tendência natural deste grupo é tornar-se, doravante, num movimento de sociedade civil do Distrito da Guarda para garantir, assim, a satisfação de todas as necessidades, garantindo todos os bens e direitos a que devem ter acesso os residentes deste Distrito e que, outrora e no presente, lhes foram sonegados, adiados ou esquecidos.

Somos um grupo de pessoas da cidade e do Distrito da Guarda, aqui radicado, que sente e vive na carne, sem bairrismos estreitos, o pulsar dos corações destas gentes, tão vergadas pelo peso do abar1.dono dos que foram e são Governo, isto, apesar de tantas promessas.

Temos uma consciência viva da nossa História, grande e gloriosa, e sabemos que, por isto, o poder político central tem urna divida, histórica de gratidão para com este Distrito. Esta dívida não pode, nem deve ser esquecida, nem adiada.

Reconhecemos a nossa situação geográfica, considerada, por todos nós, como privilegiada, como porta da Europa e como riqueza potenciadora no mundo dos serviços e do Turismo. Pode, porventura, alguns entendê-la como interioridade, outros como periférica. Todavia, para os que aqui residem, é potencialmente ri.ca, porque pode vir a ser um nó rodoviário e ferroviário extraordinariamente importante, no actual contexto da Europa Comunitária. Assim o queira e possa realizá-lo o poder central, isto é, o Governo.

Fomos sempre um viveiro abundante de pessoas ilustradas, que se espalharam pelo país e pelo mundo, em diferentes situações de relevo no mundo da política, das letras e da ciência. Não esquecemos que o Distrito da Guarda contribuiu, generosamente na formação da elite portuguesa e, agora, no presente, tem uma população escolar, nos seus diferentes níveis, muito grande e significativa. As PESSOAS são o nosso maior orgulho! Fomos capazes de criar riqueza com o nosso trabalho e com os nossos estudos. Não nos faltam elementos estatísticos actualizados, que garantem como este distrito é rico e é fonte de riqueza, humana, física e económica. Mesmo quando a hemorragia da emigração foi chaga socio-económica, contribuímos com divisas para o desenvolvimento integral do país.

Rejeitamos o cepticismo; o descrédito ou até a ‘traição’ que certos políticos construíram, conduzindo-nos a nós e, ao Distrito, a uma situação de subalternidade. Reafirmamos a nossa luta em favor do que e bom, honesto e factor de desenvolvimento e de progresso para o nosso Distrito.

Estamos cientes que o desenvolvimento harmonioso do, Distrito da Guarda só pode ser alcançado com uma opinião pública bem formada, activa e participante. Estamos no caminho certo, estamos em marcha.

Dentro da multiplicidade de assuntos e problemas, porque também são muito e aflitivos, queremos trazer UM que consideramos VITAL e primordial: o da Saúde no Distrito. É um campo vasto a que não voltaremos as costas.

Hoje, escolhemos a instituição Hospital, que embora Distrital, não tem a dignidade do nome, pelas fortes carências humanas, físicas e técnicas que enfrenta. Jamais suportaremos a afronta da subalternização do 'Distrito da Guarda a qualquer outro Distrito em matéria hospitalar. Nunca tivemos um verdadeiro Hospital, o que existe é um 'remendo' e arremedo de Hospital, numa construção velha, com as suas glórias' enquanto Sanatório. É insuportável a simples transferência de um 'Banco de Urgências' ou de uma das poucas 'especialidades', para umas instalações restauradas, mas acanhadas e incapazes de dar uma resposta satisfatória. Cultivamos a cultura da responsabilidade. Há responsáveis por esta situação, tão deplorável como canhestra!

Recusamos, energicamente, o facto de termos sido, até ao momento presente, esquecidos. Apesar dos quase 200.000 habitantes, temos apenas e só, um Hospital pobre e mal dimensionado, com uma renda de 3.000 contos, paga à Santa Casa da Misericórdia. Todavia, aqui ao lado, o vizinho Distrito de Castelo Branco, dispõe de 3 Hospitais, e brevemente vai dispor de um quarto: o Hospital da Cova da Beira. A isto dizemos NÃO. NÃO À DISCRIMINAÇÃO. Replicamos que as futuras instalações enfermam de raquitismo e reivindicamos um Hospital novo, de raiz, para o nosso Distrito. É loucura admitir que um doente de Almendra seja transportado para a Covilhã! É inaceitável que às portas do IP2 e IP5, faltem e continuem a faltar serviços condignos de emergência médica. Não admitimos a falência e o esvaziamento das poucas valências e especialidades que possuímos. Não cruzamos os braços ao saber que os profissionais de Saúde, por não encontrarem as condições básicas para o exercício normal da sua actividade, procurem novas terras e novos hospitais e que o exercício da medicina é, tantas vezes, praticado no meio da degradação e da insuficiência de meios. O rol seria imenso, porém e por ora não o mencionaremos. Pugnamos pelo direito a uma verdadeira SAÚDE, por uma boa qualidade de vida.

Sentimos, por último, que ao exigirmos um novo Hospital, os nossos direitos são IGUAIS aos de Castelo Branco, aos da Covilhã, aos de Viseu e às exigências de Lamego, que vai ter um novo edifício, e esta cidade não é capital de distrito!

Caro amigo do Distrito da Guarda, une-te a esta cruzada, junta a tua voz à nossa, participa a favor desta causa justa, razoável e digna. Não permitamos, com o silêncio, inércia e comodismo, que a nossa terra, o nosso Distrito e as nossas gentes fiquem entregues ao abandono, à miséria e à má qualidade de vida.

Movimento Cívico do Distrito da Guarda

Abril de 1998

 

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